FILHA AMADA

Não fui criada por meu pai. Separamo-nos quando eu tinha apenas sete anos de idade. Cresci sem a referência do cuidado paterno em todos os âmbitos da minha vida, porém a ausência de seus carinhos e conselhos deixou um vazio em minha alma.

Assim, cheguei à adolescência, à juventude e à maturidade, e eu era cheia de traumas e complexos existenciais: Os cuidados paternos e seu amor me faziam muita falta, porém as lembranças de nossa convivência na primeira infância me confortavam.

Entretanto, numa época de transformação em minha vida, comecei a sonhar com um Pai que me protegia, e me dizia que era forte e cuidava de mim. O lugar de Sua habitação me pareciam terras imensas (e eram realmente), e eu as sobrevoava: Sentia-me leve e protegida.

Desta maneira, conheci a Jesus, de quem sou coerdeira. O Pai dEle é o meu Pai: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”, é assim que começa a oração que Jesus nos ensina em Mateus 6.

Nessa oração, Ele traz algo maravilhoso sobre a palavra pai: Ele se refere ao Seu Pai, como “nosso pai” – e, para quem observa o texto gramaticalmente também, percebe que o termo “nosso” já inclui o “eu” e o “nós”, assim compreendemos o porquê do PAI NOSSO; entendemos que o nosso Pai é um só – O pai do EU e o Pai do NÓS.

Toda filha tem necessidade de ser amada e reconhecida por seu pai, e se isso não acontece, ela fica vulnerável aos sentimentos de rejeição e insegurança; sentindo inclusive vergonha pelo fato de não ser aceita por seu pai ou por não conhecê-lo como é o caso de muitas pessoas.

 A missionária e escritora brasileira, Marizete Aragão, que também é palestrante internacional, escreveu sobre o assunto em seu livro: Filha amada – herdeira legítima. Neste livro, ela mostra como podemos ter nossa paternidade valorizada em Deus, como é ser filha e não bastarda, como a filha legítima tem direito à herança eterna, e como o fato de entender “quem somos em Deus nos ajuda a viver a plenitude de provisão e paz em Seus braços de amor”.

Chegou a hora de reconhecer quem verdadeiramente tem cuidado de nós, tem nos alimentado, suprido as nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais: é o Pai Todo-Poderoso, que habita nas mansões celestiais.

O pão nosso de cada dia Ele nos dá hoje, e Ele também perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixa cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque dEle, do nosso Pai Celestial, é o reino, e o poder, e a glória, para todo o sempre. Amém.


                                                                                                          
                                                                                       Edna Solange do Nascimento



 

MÃE NUNCA VAI, MÃE SEMPRE FICA



Ontem seria um dia de festa, ou melhor, o terceiro dia de festa (o aniversário de minha mãe), pois era assim que ela passou a comemorar o seu aniversário. Eram três dias de comemoração!

Ontem, passei o dia me deleitando em lembranças muito queridas e só hoje tenho condições de expressar em palavras uma pequena parte do que guardo no meu coração. As festas começavam no terceiro dia que antecedia o seu aniversário. Esse era dedicado ao Grupo da Igreja, com muito bolo, refrigerante e café depois das orações feitas com carinho pelas amigas de velha data, sempre com lindos louvores. Agradecer a Deus por mais um ano de vida era a sua maior alegria.

O próximo dia era destinado aos vizinhos, aos amigos mais chegados e muitos conhecidos. As panelas ficavam cheias de canjicão, arroz doce e outras delícias e ela recebia a todos com muita alegria, sempre muito conversada e agradecida.
O dia 25 era o ápice do evento. Uma das minhas irmãs mais velhas passou a fazer a comemoração com direito a bolo confeitado, buquê de rosas vermelhas e um grande almoço para a família em um restaurante da cidade.

Era um dia intenso. Muito corre-corre e preparativos e muitos presentes! Nesse dia, ela se esmerava no vestir. Deixava o vestido estampadinho de lado e mandava fazer um liso, de cor suave, de linho. Uma das irmãs mais velhas, era a sua costureira e também ganhava uns muito "chiques", vindos dos EUA.  O de festa era  com o decote quadrado, passado o ponto richelieu em volta; com manguinhas, dois bolsos para guardar as chaves; um pentezinho para pentear os lisos e já prateados cabelos e um "dinheirinho" para alguma necessidade.

As sandálias de couro eram trocadas por sapatinhos bem confortáveis e, para completar, brincos de oco negro de ouro, uma correntinha no pescoço, o relógio dourado no pulso e as alianças no dedo, bem gordinho. As unhas também ganhavam cor. Eram pintadas com um rosa claro ou nude. Um pouquinho de pó de arroz no rosto e um leve Batom rosado. Só para dar uma corzinha. Assim ficava pronta para a festa. Nesse dia ela ganhava presentes e a atenção de todos. Era um dia memorável. A alegria era tanta que ela queria dividir com todos, amigos, vizinhos e parentes.

Envolta em minhas lembranças, volto um pouco mais no tempo para lembrar de uma senhora, ainda jovem que vendia doces de banana nas ruas de Valadares. Era a minha querida mãe, Terezinha Angélica ( in-memorian). Teve um tempo muito difícil. Ela e o papai, Jaime Alves ( in-memorian), chegaram a essa cidade, Governador Valadares, em uma Kombi, junto com o meu tio João Alves ( in-memorian), irmão do papai, amigo inseparável e muito bom. E com eles, uma carreirinha de filhos, sendo que uma das mais velhas ficou casada no Rio de Janeiro, ainda muito nova.

Chegamos à Avenida Brasil, ainda de terra batida. O papai comprou uma Fábrica de doces de banana e se pôs a trabalhar intensamente com a mamãe e as filhas. Foi um tempo de muita luta. O papai nos tachos de doce, as mocinhas, minhas irmãs, ajudando a embalar e a mamae passou a ser a vendedora. Imagino a cena. Ela ainda uma jovem senhora e muito bonita, a sua figura frágil, andando pelas ruas, debaixo do sol quente, com os braços carregados de pacotes de doce de banana. Entrando e saindo dos comércios, oferecendo o seu doce para que, com a sua venda, pudesse comprar os alimentos para a grande família e fazer assim o seu sustento.

Como sempre, era muito conversada, então  conseguia fazer bons  negócios, de manhã e de tarde. Rapidamente, conseguiu compradores e fez muitos amigos. Com o seu jeito simples de ser, honesta, trabalhadora, inteligente e muito educada. Era boa em Português e também em Matemática. Sendo até professora do meu pai, na arte de fazer as quatro operações num átimo, como gostava de dizer.

Imagino a sua figura pequena indo para as ruas, carregada de doces e voltando com os alimentos para os seus rebentos. Não devia ser nada fácil. O sol escaldante, poeira e suor, e ruas, e comércios, pessoas desconhecidas, e muitas orações para efetivar boas vendas.

A família era organizada, cada um tinha a sua ocupação. Tudo fluía da melhor forma. Uma ficava por conta da casa e do fogão, outra para tomar conta dos pequenos, eu e o meu irmão António Sérgio, Toninho, e as outras na pequena fábrica, juntamente com o papai que ficava mexendo as bananas maduras no tacho. Também imagino a sua figura alta e forte, batendo o doce até dar o ponto certo para o corte. O calor do fogo, as labaredas e o cansaço, horas passadas em pé, fazendo o mesmo movimento. Ele sempre de sapatos, calça de vinco, camisa por dentro e cinto.

 Mas tinha que perseverar na labuta, pois tinha lindos filhos para alimentar, vestir e educar. Todavia, éramos bons filhos. Obedientes, tranquilos e organizados. Acho que éramos parecidos com uma pequena "colmeia", todos prontos para ajudar.

 O tempo passou, nós viramos adultos, e a mamãe  e  o papai se tornaram idosos. Os dias também não foram fáceis. Os filhos casaram, a casa ficou vazia e vieram as enfermidades. A mamãe, algumas vezes ficava com a "memória fraca". As lembranças brincavam com ela de forma terrível. Era assistida por muitos médicos, um deles era até de fora da cidade. Depois conseguiu um que, felizmente, pôde ajudá-la. Ainda era um "tabu", a tão triste e infeliz, "depressão", que, agora, apesar de tanto conhecimento, ainda é tratada com muito preconceito.

Nesses longos dias, em que se ausentava  do presente, o papai não desistiu dela. As filhas mais velhas se revezavam em seus cuidados. Deixavam as suas casas, famílias e vinham em seu socorro.

Muito tempo depois, eu e meu irmão, ainda novos, também auxiliávamos nos cuidados, juntamente  com o papai. Mas o papai também tinha os seus dias ruins. A saúde se abalava. E, em uma dessas enfermidades, o meu pai, tão querido e amado, se foi. Lutou bravamente. Teve os cuidados da mamãe e dos filhos. Mais uma vez todos revezavam. Eram bons cuidadores. Então ele  foi recolhido pelo Senhor, a quem  serviu durante toda a sua vida e só assim pode descansar de tanta luta. Foi um bom pai. Rígido, bravo, mas muito zeloso.

Ele se esmerava em nos ensinar como colocar a colcha esticadinha na cama, a lavar os copos, colocando-os contra a luz para ver se estavam bem limpos, a manter a geladeira e o filtro sempre com água fresca, a varrer o terreiro, só tirando o cisco, sem tirar a terra do lugar, a manter as luzes apagadas e as torneiras bem fechadas para economizar, a não desperdiçar comida deixada no prato, as roupas bem estendidas no varal.

Tantas e tantas outras coisas muito importantes que nos eram ensinadas com muito carinho. Até aprender a dirigir "caminhão", ele me ensinou. Quanta sabedoria!  A mamãe ficou conosco por mais alguns anos, dando-nos o prazer de sua companhia. Aqui eu agradeço a Deus por ter me dado um ano ao seu lado e poder ter oferecido para ela  sopas quentinhas que eram degustadas todas as noites. E também chegou o dia de sua partida. Inventou uma desculpa e calmamente partiu para os braços do Pai. Para junto do Deus a quem amou durante toda a sua vida. O Deus que a ajudou nos momentos de dor, nas necessidades e que, na hora certa, a recolheu para si. Ficaram as lembranças boas e queridas.

Eu fui escolhida para estar ao seu lado, como uma amiga, na hora de sua partida. Simplesmente parou de respirar e se foi. Sendo assim, reforço. Mãe nunca vai, Mãe sempre fica. Fica nas histórias que contava, nas conversas calmas, nos ensinos, no seu passado cheio de recordações. Fica nas artes manuais  que habilidosamente desenvolveu em mim. Nos crochês, no ponto segredo, que não consegui aprender; nos  tricôs, sendo os últimos lindos suéteres para os genros (a minha parte era fazer as costas; bordados de ponto cheio, rococó, de fitas e casinha de abelhas). Nas costuras (quebrei uma agulha no dedo e deu muito trabalho para o papai retirar), era muito habilidosa; nas florzinhas de cetim, armadas com o ferrinho esquentado no fogão a lenha, (eu queimei um) e nas refeições do dia-a-dia, também no grande fogão à lenha.


Tive o prazer de ajudá-la algumas vezes. Sendo eu ainda pequena, mas muito curiosa. Na agilidade para fazer várias coisas ao mesmo tempo. No café da manhã e da tarde, religiosamente, com o leite fervido e o pão com manteiga, comprados na padaria da esquina.  Nos almoços de domingo. Nos desenhos e versos para os netos. Na melodia cantada nos aniversários e até escrita em uma carta para uma neta querida. Nas roupinhas para minhas bonecas, que eu insistia  em colocar  o véu, quando o vestido era de noivinha.
Nos chazinhos e remédios caseiros que curava a dor de ouvido, o joelhinho ralado e até  o coração partido.  Nos conselhos sempre muito bem dados  para quem os pedia. Nas cartas que nos enviava sempre metódica, com começo, meio e fim. Iniciava com o nome da cidade e data; logo após, uma saudação. Depois era dado às notícias e indagações breves. Em seguida fazia um comentário dos fatos recentes e terminava externando o seu desejo de boas aventuranças. Era simples. Apenas três parágrafos. Muito bem escritos como se seguissem as normas da ABNT e tivesse corretor ortográfico. Exímia professora.
Minha mãe fica na viagem feita aos EUA, onde foi recebida por um motorista em uma Limousine. Fica na bondade para quem quer que fosse e dela precisasse, sendo por um prato de comida ou até mesmo apenas uma palavra amiga. Fica nos lacinhos de fitas colocados, cuidadosamente, nos cabelos das lindas meninas. Fica também nas histórias da Bíblia Sagrada sempre contadas para embasar algum ensinamento que estava sendo ministrado naquele momento. Em sua voz já trêmula entoando os louvores na Igreja que amava. Nas orações intercedendo por cada uma das oito filhas e do único filho e também para os genros e nora, netos e bisnetos. Não se esquecendo nunca dos amigos, vizinhos e apenas conhecidos.

Ela fica no seu amor pelo nosso Deus e Senhor e no legado que nos deixou e que tem nos sustentado e contribuído para a nossa vida familiar e também na educação dos nossos filhos.

Gostaria Também de ser merecedora de boas lembranças, de dar bons ensinamentos,  para que, na hora em que o Senhor me chamar,  eu possa descansar em seus braços na certeza de que cumpri com o meu dever aqui na terra.

Mãe nunca vai. Mãe sempre fica. Fica na saudade, na beleza e no exemplo de vida.

Tereza Campos Machado


“O Senhor te abençoe e te guarde;

O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;

O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”. Números 6.24-26




SONHO DE SER MÃE: O AMOR DE DEUS NUNCA FALHA

Sonho de ser mãe: O amor de Deus nunca falha
  
Um belo dia, depois de dois anos de casada, engravidei de um lindo menino, chamado Jonathan.

Quatro anos depois, eu desejei ter mais um filho e o Senhor me abençoou com uma linda menina, chamada Geovanna.



Mas, ao nascer, percebi algo diferente: ela não tinha a cabeça toda coberta de cabelo; o cabelo só existia nas laterais da cabeça.

Quando Geovanna completou oito meses, ela sofreu uma crise convulsiva, então corremos para a emergência, mas não foi indicado nenhum diagnóstico neste momento e a crise continuava: e pior a cada dia.

Aos seis anos de idade, ela foi identificada com síndrome de West. Aí começou a nossa luta para aprender a lidar com esse diagnóstico.

Hoje, ela é tudo para mim,  para o meu filho e para o meu esposo. Deus tem nos ensinado acerca do amor:

O amor é sofredor, é benigno (...)tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha.    1Co 13.4,7,8
                                                                                         

 A cada dia que passa é um obstáculo a menos. Assim, no dia a dia, na presença de Deus, vamos aprendendo a lidar com essa situação.



Ana Carolina Almeida da R. Ferreira


SOBRE A AUTORA: Ana Carolina é uma mulher batalhadora, incansável. Meiga e delicada, conquista a todos com seu jeito carinhoso de ser.
Ela produz doces maravilhosos, cuja divulgação é feita em sua página do facebook https://www.facebook.com/anacarolina.almeida.100483

UM MOMENTO ESPECIAL

Um momento especial


A Paz do Senhor.

Meu nome é Maria Conceição, filha de Floriano e Terezinha, mãe de Patrícia e Alexandre, sogra de Thiago e Janeide, vovó da Letícia.
Para louvar o nome do Senhor vou testemunhar algo tremendo que Deus fez na minha vida. 

Em 2016, descobri através de exame de mamografia, que estava com “um caroço de aspecto feio” em uma das mamas (palavras do mastologista). Foi um breve momento de preocupação, tristeza e medo, mas o Senhor me fortaleceu naquele momento dizendo-me que a partir dali mudaria a minha vida. Então Fiz a biopsia e ali foi comprovado um câncer de mama.

Sim, Deus mudou a minha vida me fortalecendo e abençoando com uma fé tremenda, fé essa que me fez passar pela cirurgia, pela quimioterapia, radioterapia e também por remédios via oral, de uma forma que eu mesma me surpreendo quando lembro. Para a glória de Deus tudo correu tranquilamente, a cirurgia foi uma bênção, fiz seis sessões de quimioterapia e em nenhuma delas passei mal, fiz 30 sessões de radioterapia, foi quando tive a oportunidade de distribuir folhetos com a Palavra de Deus no trem na ida e na volta e também nos corredores do hospital. Era uma média de 150 folhetos diariamente; folhetos que o Pastor da Igreja Batista Regular em Campo Grande me fornecia.

Durante esse tempo, o Senhor estava curando a minha saúde, mas, principalmente, estava ministrando em minha vida algo que era Seu propósito: “mudar a minha vida”. Sim, no mesmo dia em que fui encaminhada para fazer uma biópsia (9 horas da manhã), às 9 da noite fui convidada por um pastor de uma Igreja Assembleia de Deus, para “alfabetizar” umas crianças na sua igreja. A princípio não entendi, pois eu não congregava naquela igreja, mas ele disse que era uma convocação de Jesus.  Então,  movida pela misericórdia de Deus, eu aceitei o convite. No domingo seguinte, logo cedo, me dirigi até a igreja ao encontro das crianças. Ao chegar lá, fui recebida com um carinho tão grande que parecia que já éramos muito íntimas, de imediato amei aquelas crianças. Naquele momento, o Senhor começava a realizar em mim o Seu propósito. Glórias a Deus!

Um belo dia, chegou o momento em que tive que me desligar da igreja onde congregava, pois não era mais possível nos cultos noturnos ficar longe das crianças. Deus ministrou tão maravilhosamente em minha vida que me fez a professora delas não só para alfabetizar, mas “alfabetizar através dos ensinos bíblicos”. Hoje são adultas para a glória de Deus, servos e servas do Senhor, alguns papais e mamães.

Durante esse período, o Senhor também me apresentou alguns adultos que necessitavam de uma atenção quanto à alfabetização, então Ele foi trabalhando em meu coração com um lindo “Projeto de Alfabetização através da Bíblia” para adultos, o que era para a glória de Deus, hoje já existe a Cartilha do aluno e o Manual do professor.

É interessante observar que, enquanto passamos por uma luta, Deus está no controle, e que nada acontece sem a Sua permissão e propósito. Enquanto a minha saúde, era tratada pelo homem sob o controle de Deus, era gerada uma grande mudança na minha história.

Hoje, amo estudar, estudar a Palavra do Senhor e levar conhecimento às pessoas que Deus coloca no meu caminho, e por que não dizer: “me coloca no caminho delas”.

O câncer na minha vida foi uma jornada de fé, perseverança e certeza daquilo que não vemos, mas cremos. Hoje, 17 anos e 7 meses depois de o Senhor ter me prometido mudar a minha vida, curada do câncer, eu vivo para a glória do nome do Senhor.

A essência da fé
Hebreus 11.1 a 3
            Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam,
e a prova das coisas que não se veem.
Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.
            Pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados;
 de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.”



SOBRE A AUTORA: Maria Conceição é uma mulher determinada, estudiosa, amiga. Alguém especial, que ama a Palavra de Deus. Conceição é forte e destemida, e todo o seu talento revela sua garra e força. Ela é cheia de talentos manuais, divulgados em sua Fanpage Conceição Ateliê https://www.facebook.com/Concei%C3%A7%C3%A3o-Ateli%C3%AA-238576886915303/


ESPEREI COM PACIÊNCIA NO SENHOR



Esperei com paciência no Senhor
Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor

            Esperei...esperei, e esperei...O Senhor ouviu, e “me fez crescer na terra da minha aflição”, Gn 41.52. Acabo de repetir as palavras de José, pois verdadeiramente o Senhor me fez prosperar na terra, onde para mim só havia aflição. Louvado e exaltado seja o seu nome! (...)
             
            Nenhum acontecimento em nossa vida é por acaso, eu bem sei. Lá na frente vamos saber o porquê de tudo. São processos necessários, para que Deus seja glorificado em nossa vida. Deus é Onisciente, Onipresente e Onipotente. Ele tem todo o conhecimento. Está presente em todos os lugares e tem todo o poder. Ele escreve a nossa história, e Salmos 139 mostra isso muito bem. Mas é o texto de Jeremias 1.5 que quero citar para você:

Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei: às nações te dei por profeta.

Deus conhece a mim, e a você também. Desde o ventre de nossa mãe ele acompanha nosso desenvolvimento, escrevendo todos os detalhes da nossa formação (leia Salmos 139, veja que lindo!). Ele nos chama pelo nome, assim como sabe o nome de todas as estrelas, Isaías 40.26. O nosso Deus, o criador, é o Deus do impossível. Mas nunca se esqueça de que, “se ele fizer, ele é Deus, e se não fizer continua sendo Deus”, trecho da música de Delino Maçal: Deus é Deus.
Veja, o povo de Israel estava no Egito, foi escravizado por muito tempo; mas, quando eles menos esperavam, Deus enviou o libertador. No deserto, livres do Egito, caminharam sob os cuidados de Deus, até que chegaram a Jericó, com um muro aparentemente intransponível, parecia realmente algo impossível de se conquistar, mas...
Deus disse a Josué: Meu servo Moisés morreu. Levanta-te, Josué. Passa este Jordão, tu, e todo este povo. Eu imagino que neste momento Josué estava desanimado, pois o líder Moisés tinha morrido. Ele não sabia como agir, porém o Senhor veio até ele, trazendo-lhe esperança e motivação para prosseguir. E, de repente, também você pode estar se sentindo assim, passando por algum problema, algo que parece impossível de solucionar. Mas lembre-se, Deus não deixa ninguém sozinho, e como ele foi com Moisés, com Josué, assim também será com você. E, estando Deus conosco, o que é que nos pode ser impossível? Pois para Deus todas as coisas são possíveis, Mateus 19.26.

A sua vitória está relacionada a você querer conquistar o impossível. Imagine o tamanho daquele muro de Jericó, que caiu ao som das trombetas e ao som dos gritos daqueles valentes que confiaram em Deus. Toque as trombetas, anuncie ao inimigo da sua alma que o Valente dos valentes, o Todo-poderoso, o Deus de Israel já decretou a sua vitória. Grite, Grite, Grite! Perdeu, Satanás, você perdeu. A vitória é minha em o nome de Jesus. Eu conquistei o impossível, pois em Cristo nós somos mais do que vencedores. Eu venci! ALELUIA!!!


                                        VOCÊ TAMBÉM VENCERÁ



SOBRE A AUTORA: É uma amiga querida: Autêntica e amorosa, uma mulher transparente, que diz o que precisa ser dito.
Eloísa Martins é Pastora da Igreja Assembleia de Deus Libertação e Vida, autora do livro COMO CONQUISTAR O IMPOSSÍVEL, lançado em 2017, pela PoD Editora.




Sr. TEMPO

Sr.Tempo
Provérbios 16.24
“Palavras amigas são doces como mel; dão ânimo e criam novas forças”.



Hoje, o Sr Tempo veio me visitar, metódico como sempre. Suas visitas são prazerosas, pois temos oportunidade para falar sobre diversas coisas. Sendo douto, tem a fala interessante e a memória  bastante avivada, não faz acepção de pessoas e trata a todos com muita simpatia e generosidade.

Fiz o seu lanche preferido. O bolo d'água, a broa de fubá com erva-doce, o canjicão  com coco e o arroz doce, igual o da mamãe e o que não podia faltar: o bolinho de chuva e uma boa caneca de queimadinha, que o papai adorava e sem esquecer o bom queijo de minas.

Ele tem um gosto mineiro bem apurado. Somos amigos antigos e quando estamos juntos aproveitamos para relembrar o passado, falar sobre o presente e fazer planos para o futuro; traçar metas e aproveitar os anos vindouros.

Hoje ele se ateve a falar sobre a minha meninice. Quanta coisa interessante ele se lembra. Tem um jeito de falar dos acontecimentos passados de uma forma simples, mas com riqueza de detalhes. Pôs-se a sorrir quando recordou de como eu era levada e conseguia fazer muita arte mesmo andando com o meu pezinho "torto", correndo sobre o balcão do Armazém de secos e molhados do papai em Duque de Caxias, RJ, minha cidade  natal. Dos meus olhos verdes, cabelos e pele clara, muito conversada, alegre e curiosa.

Então ele se pôs a falar sobre o papai e a mamãe, Terezinha Angélica e Jaime Alves, (in-memorian) do amor e consideração que tinha pelos dois. Disse que eram pessoas boas e que gostavam de ajudar ao próximo, mesmo já tendo uma grande família para sustentar. Falou carinhosamente dos cuidados deles para comigo. Na procura  incansável do papai em busca de uma solução para o meu "pezinho", até que encontrou: Ele ficou sabendo de um Hospital, na Zona sul, que tinha um Médico fazendo experiências com crianças para deixar o pezinho perfeito e ele não mediu esforços para conseguir o que tanto queria. Foram muitas viagens ao Hospital, sempre acompanhado de uma  das minhas irmãs, que se tornou a minha ajudadora, ainda uma menina.

Nesse momento o seu olhar ficou vago e marejado de lágrimas ao se lembrar dos velhos amigos. Disse que o papai ficava orgulhoso quando eu já era uma mocinha e andava de sapatos de  "saltos altos".  Então começou a falar das minhas irmãs e do meu irmão. Falou sobre cada um, os nomes, suas características, dos seus gostos e de como foram bem criados. Todos muito bonitos e educados. Frisou que eram lindas moças e que se tornaram belas jovens senhoras com famílias muito amadas;  assim como o meu irmão, um homem bonito e íntegro, cheio de amor  pelas irmãs e  sua família.


Aproveitei uma pausa que ele deu, envolto em seus pensamentos e falei sobre os meus irmãos. Do amor  incondicional que nutria por cada um, de suas qualidades, preferências  e da real importância que tem em minha vida. Das minhas sete irmãs, cada uma com um jeito diferente de ser, de suas risadas, o tom da voz, as habilidades que cada uma tem; do meu irmão e companheiro de infância e bem parecido comigo, de nossas leituras das revistas em quadrinhos debaixo da cama dos nossos pais. Muito bem escondidos, para ninguém nos incomodar. Assim reafirmo o meu amor por cada um dos oito irmãos que o Senhor me deu.

Depois dessa pausa, ele novamente tomou posse da conversa e se referiu mais uma vez aos meus pais. Disse-me para nunca esquecer os seus ensinamentos, que eles são preciosos e devem ser repassados na íntegra para os meus filhos e eu afirmei que assim tenho feito.

Ficamos proseando por muitas horas, o Sr. Tempo é um autodidata nato, seus conhecimentos são enriquecedores e eu amo ouvi-lo versar sobre vários assuntos desde o passado à atualidade. Quanta sabedoria! Às vezes, dávamos grandes gargalhadas, em outras, fazíamos um silêncio quase palpável devido às queridas memórias ainda vivas do passado, já um pouco distante.

O Sr. Tempo discursa sobre todos os assuntos, pois gosta de estar sempre muito bem informado e eu me deleito em sua presença. Disse-me que os dias estão ficando cada vez mais difíceis e que o mundo está se transformando  em uma guerra de rivalidades e que, apesar da facilidade dos meios de comunicação, as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras e solitárias em meio a multidão. Reafirmou que a família é a base de tudo e que apenas os familiares estarão presentes quando nós precisarmos.

Falou ainda sobre os meus filhos e que estava muito feliz vendo os seus sonhos serem realizados e que ter um bom Advogado e uma boa Nutricionista na família é dose dupla de felicidade. Frisou que, enquanto permanecermos unidos eu, Richer Nicolas e Mirelly seremos fortes o suficiente para enfrentarmos todas as batalhas que porventura vierem  sobre nossa vida. Destacou que o amor entre mãe e filhos é um elo eterno, que a personalidade de cada um deve ser respeitada para se ter uma boa convivência e manter a  cumplicidade.

Lembrou ainda dos meus poucos amigos e disse que não importa a quantidade e sim a qualidade daqueles que me trazem alegria. Mencionou o avô dos meus filhos, meu querido,  Sr Efigênio Fideles, homem íntegro, amoroso e presente em nossa vida.  Fez menção também a minha saúde, disse estar um pouco preocupado, mas que eu estava bem assistida e que Deus estava no controle de tudo, que brevemente eu ia me restabelecer, só  precisava ter  paciência e fé. Quanto a alguns constrangimentos devido a falta de informação das pessoas, sobre esse assunto, "A depressão", ele reafirmou que é um transtorno do humor grave e frequente. É uma doença que está afetando  cada vez mais a população, e que ela necessita ser identificada, diagnosticada, tratada e ter o apoio dos familiares e das pessoas mais próximas. Não é falta do que fazer,  preguiça  ou vontade de chamar a atenção. É uma doença com sintomas físicos e psíquicos,  claros e intensos, tais como, tristeza sem motivo aparente, choro, desânimo e pensamentos negativos  Pode ser herdada e se tornar crônica, necessitando de acompanhamento especializado, medicamento constante e ter ciência  de sua necessidade. O Sr. Tempo me disse, ainda, que devo relevar os comentários, apenas seguir o tratamento prescrito pelo meu exímio "Doutor" e ter fé no nosso Deus.

Ninguém tem receita para se viver bem. Só mesmo com o passar dos anos é  que se atinge um grau de maturidade e consequentemente  se faz melhores escolhas, percorre  caminhos mais iluminados e prossegue em busca de novas realizações.  Ele me disse que não devo me preocupar tanto com alguns contratempos, pois são fatos corriqueiros e que sempre acabam sendo acertados, contudo ponderou que menos altruísmo faz bem.

Sr.Tempo Insistiu para que eu fizesse  algumas viagens, pois corroboram para o meu bem estar. São novos ares, pessoas diferentes e muitos passeios. Expressou os seus sentimentos  pela perda da Amora e fez festa para a nossa bagunceira Aurora, e riu das histórias que contei dela e do Fred. As  horas passaram depressa, ainda havia muito que conversar, então ele citou alguns versículos bíblicos para embasar os últimos momentos de conversa. É muito enfático na questão da fé. Fala sobre o Senhor com muita autoridade e reverência e quer que eu continue fazendo a minha leitura diária da "Palavra revelada", que é o alimento para a nossa alma e insistiu que eu prossiga nas "Mensagens com Louvor", que gosta muito de ler.

Aconselhou-me a manter acesa a chama da minha fé, que foi a herança que os meus pais me deixaram. Que ela deve ser avivada a todo o momento e permanecer acesa no coração dos meus filhos, que também receberão de mim essa preciosa herança, depois que os meus dias ao lado deles chegarem ao fim. Sendo assim é preciso que aproveitemos ao máximo a companhia de cada um para que seja registrada uma boa lembrança, como as que eu tenho dos meus saudosos pais.

O querido Sr. Tempo Incentivou-me a continuar a minha busca pelo conhecimento, pois esse "bem" ninguém é  capaz de nos tirar e não há idade estipulada para engajar em um novo Certificado. O sol já estava longe quando ele se levantou para se despedir. Deu-me o seu abraço amigo, um longo aperto de mão, passou seus longos dedos no meu rosto, sorriu das linhas de expressão que já estão presentes, dos fios prateados em minha cabeça e salientou que estou muito bem, que a maturidade tem uma beleza diferenciada. Deu um longo suspiro com um sorriso brejeiro e mais uma vez reforçou todos os conselhos, que são bem-vindos e são dados  em cada novo encontro. Externei o meu carinho por ele, que amava suas visitas anuais, que as esperava ansiosa, então agradeci pelos preciosos ensinos que me trouxera, pois sei que são do fundo do coração. Nós  nos  despedimos e ele se pôs a andar com o seu jeito gracioso, ora com os passos apressados, ora lentos.

Fiquei olhando a sua figura até onde minha vista pôde alcançar e então deixei as lágrimas rolaram pelo meu rosto, já saudosa de sua presença. O Sr. Tempo não para, é um viajante solitário e quer estar em todos os lugares, junto daqueles que ama, com o seu jeito incondicional de amar.

Fiz um breve relato desse quinquagésimo sexto encontro e almejo ter muitos outros. Ter o Sr. Tempo como meu aliado é ter a certeza de que todos os dias serão repletos de felicidade e que serei amada um dia mais do que o outro, juntamente com o meu Deus e Senhor, que é o autor da minha fé.

A você que leu até aqui, eu agradeço por fazer parte da minha história. Amo a vida de cada um, com o meu jeito de amar... um dia mais do que o outro!!!

                                                                            Maria Tereza Machado






SOBRE A AUTORA: Maria Tereza Machado é uma mulher doce e amiga. Com palavras profundas, ela percorre o passado, trazendo à memória sentimentos e emoções guardadas no âmago do ser. Eu tenho aprendido com ela a valorizar sentimentos de amor e gratidão por meus pais, amigos e familiares de ontem, hoje e sempre.










FILHA AMADA Não fui criada por  meu pai.  Separamo-nos quando eu tinha apenas sete anos de idade. Cresci sem a referência do cuidado paterno...